Conheça as propostas do candidato Julio Neves, da Chapa Muda Hóquei

Essa semana o Hóquei Brasil enviou às duas chapas concorrentes à presidência da CBHG um longo questionário sobre as propostas que colocariam em prática caso fossem eleitos, com o objetivo de dar o mesmo espaço às duas candidaturas. O candidato Julio Neves respondeu e segue abaixo na íntegra. O candidato Bruno Patrício não nos respondeu, repetindo uma prática habitual da gestão da CBHG, criticada pela falta de comunicação.
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Julio Neves durante treino em São Paulo

Conte-nos um pouco do que tem feito pelo hóquei em seu cargo atual.
Atualmente sou consultor contratado pela PAHF, nomeado pelo Presidente e Diretoria como Diretor Administrativo, conforme estatutos da entidade. Supervisiono toda a operação da PAHF que consiste de diversas áreas, entre elas: finanças, administração, competições, arbitragem, desenvolvimento, mídia e comunicações. Em algumas áreas tenho um papel bastante executivo. No Brasil colaboro no Grêmio Interlagos.
 
Porque a comunidade do hóquei deve confiar em você?
A comunidade do Hóquei deve confiar em pessoas que demostram qualidades como: capacidade de diálogo e de lidar com diferentes públicos, comprometimento, responsabilidade, apreço à transparência e moralidade, respeito à democracia (o hóquei é de todos nós!), respeito aos indivíduos e cordialidade. Tenho esses atributos que considero importantes para a gestão confederativa.
 
Foi verificado nas redes sociais uma grande mobilização de atletas com relação a um apoio da chapa 2. O que acha que causou essa insatisfação com a atual gestão? O que deve ser feito para melhorar a imagem da CBHG perante os atletas e clubes?
Muita gente (mas muita gente mesmo) viveu uma má experiência com a CBHG e seus representantes em algum momento. Ao longo do tempo (últimos 12 anos) nunca se viu uma verdadeira ação para criação de uma Política Nacional para este esporte, premissa básica para o crescimento de qualquer modalidade desportiva. As ações foram sempre decididas de forma unilateral com apoio de pequenos grupos, que de alguma forma se viam beneficiados. Assim, criou-se uma imagem de protecionismo, despotismo, arbitrariedades e descaso com a integração da comunidade. Julgo serem motivos suficientes para que seja apoiada uma proposta de mudança. A imagem da CBHG melhorará com Boa Governança e com mudança de atitude. Ações específicas podem ajudar, mas devem ser decididas em colegiado com as federações e clubes.
 
Como você avalia a gestão do Sr. Sidney Rocha no âmbito geral?
A reação de apoio da comunidade do hóquei à chapa Muda Hóquei demonstra a insatisfação com a gestão até aqui, no âmbito nacional. Gestão nacional arbitrária e restrita, sem expressão no âmbito internacional.
 
Como você pode avaliar o trabalho da atual gestão especificamente nos 3 seguintes quesitos: desenvolvimento, busca de patrocinadores e transparência?
Para o desenvolvimento, o discurso da atual gestão sempre foi “as federações e clubes são responsáveis pelo desenvolvimento e fomento”. Assim, o progresso em algumas frentes se deve ao trabalho dos clubes e federações. Vale lembrar que apenas alguns foram auxiliados pela CBHG, em detrimento de outros. No desenvolvimento, o trabalho da CBHG até aqui foi pífio. Busca de patrocinadores e transparência??? Nunca se viu. Será que a atual gestão sabe o que é isso?
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Julio no site da PAHF

 
A atual gestão da CBHG constantemente é criticada pela falta de transparência em seus gastos. Diante de tal cenário, você acredita ser possível organizar e apresentar a situação real das contas da confederação? Como mudar esse cenário? Quais medidas você irá tomar?
Ser transparente requer boa vontade, retidão e coragem. A publicação constante e ordenada de atos, comunicações, memorandos, pareceres, decisões, contas e receitas nos veículos adequados é um compromisso do Movimento Muda Hóquei.
 
Quais seus planos para o alto rendimento?
As Seleções Nacionais Adultas são referência para todos os praticantes do esporte. Obviamente serão cumpridos todos os compromissos internacionais que somem pontos no Ranking Mundial da FIH e sejam classificatórios para o ciclo olímpico. Deve haver maior atenção às Seleções Nacionais Junior (sub21) e Juvenil (sub18), pensando nas futuras gerações.
 
Nos últimos 12 anos o investimento nas seleções masculina e feminina foi desigual, propiciando a não classificação da nossa equipe feminina para as olimpíadas. Quais suas pretensões para termos um tratamento igualitário entre as equipes de ambos os gêneros?
Esse tema é bastante controverso, pois desconheço se houveram exigências ou pressão para um apoio maior da Seleção Masculina vindo de organismos hierarquicamente superiores à CBHG. Porém, não há como discordar que últimos 12 anos, as mulheres tiveram menos apoio. O hóquei ao redor do mundo é 50% mulheres e 50% homens. Essa será nossa meta nesse quesito: seleções masculinas e femininas competitivas.
 
Quais são seus planos para voltar a alavancar o hóquei feminino no cenário nacional e internacional?
Existem idéias para serem discutidas e se transformarem em Programas, além de modelos (de outros países) que podem ser seguidos. A solução é de médio e longo prazo, mas outra vez, as decisões estratégicas devem envolver todos os interessados. Devido à falta de transparência de gestão até aqui, não conseguimos prever o alcance de Planos de Ação. Precisamos nos debruçar, entender a realidade administrativa e financeira da CBHG. Como medida emergencial, deveremos nos reunir com todas as federações, clubes e atletas para que possamos entender as circunstâncias e dificuldades locais. Estamos muito atrasados e será um recomeço.
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Julio Neves com arquivos sobre o hóquei em SP

Porque tão poucas pessoas conhecem o hóquei sobre grama no Brasil, sendo que o esporte está aqui há décadas?
Essa pergunta merece um capítulo à parte, talvez até um livro. Promover a modalidade e ter alguns poucos grupos praticando não basta, é preciso construir alicerces na formação escolar, na prática orientada para todos os públicos e formação de multiplicadores.
 
Quais são as maiores dificuldades para desenvolver o hóquei em um país que o esporte não é conhecido?
Falta de professores, falta de material e instalações específicas (campos), falta de espaço nos meios de comunicação esportivos e desunião interna.
 
Qual seu plano para expandir o hóquei no cenário nacional, tanto na busca de novos atletas quanto na melhoria da infraestrutura dos já praticantes?
O Plano de Desenvolvimento Nacional, brevemente sumarizado no site Muda Hóquei, tem como prioridade a Capacitação (formação para a modalidade) e a disponibilização de instalações adequadas (via convênios) para que a expansão seja sustentável ao longo do tempo.
 
Como espera contribuir para o desenvolvimento das federações?

Fortalecendo a relação institucional, tornando-as parceiras da CBHG. O diálogo é a grande arma. Sem preferências para umas em detrimento de outras, como tem sido há 12 anos. Vamos apostar na capacitação das federações e clubes em busca da profissionalização. Sabemos que será um projeto a médio ou longo prazo, talvez não colha os frutos na minha gestão, porém preciso criar um plano de gestão progressiva. É fundamental que a CBHG ofereça cursos de gestão esportiva, workshops de lei de incentivo e que façamos um excelente trabalho para ajudar as federações e clubes no sentido de se regularizarem. Para que criem organismos aptos à captação de recursos. Estimular ao máximo para que em 4 anos tenhamos federações e clubes autossustentáveis, com profissionais remunerados. Imagina o quanto um clube crescerá a partir do momento que o ganha-pão de uma pessoa seja “crescer o clube”, “atrair novos atletas”, “melhorar a qualidade de treinos”. Trabalhando 8h por dia pensando nisso com um plano bem definido. É inevitável o crescimento. O hóquei nacional precisa crescer, mas de forma ordenada, com a CBHG apoiando o alcance de metas de desenvolvimento. O time não ter base ou dinheiro para pagar uma quadra, precisa ser um problema do passado. Federações e clubes são responsabilidade da confederação nacional sim! Precisamos entender que neste momento o hóquei é um esporte no qual a força-tarefa é premissa básica. Vamos ter que arregaçar as mangas, compartilhar o conhecimento e planejar a todo momento de forma coletiva. O hóquei brasileiro é um case atípico e não será fácil esse trabalho.

 
Atualmente é desproporcional os custos que os clubes têm para jogar o mesmo campeonato. Em um campeonato brasileiro um atleta gasta cerca de R$ 20,00 por rodada enquanto outro chega a gastar R$ 800,00 para viajar. Qual medida pretende tomar para ter mais equidade nessa questão?
A matemática é inquestionável neste ponto. Mas as medidas devem ser determinadas em conjunto com as federações e clubes. 
 
O que você considera como ponto forte na sua chapa?
Somos TODOS REPRESENTANTES FIDEDIGNOS do hóquei para o hóquei, sempre ativos, trabalhando pela modalidade em alguma esfera, independente de interesses pessoais ou partidários. A chapa é composta por gente de reputação ilibada, e com formação em diversas áreas de conhecimento, cabeças privilegiadas. Tenho MUITO ORGULHO de ter sido escolhido para liderar a candidatura.
 
Você pensa em introduzir o esporte apenas em faculdades, ou há um plano de disseminação para escolas? Se sim, quais?
Nas faculdades, principalmente de Educação Física, o foco é a formação de futuros professores de hóquei. Será necessário que a modalidade seja ofertada em escolas-alvo (a serem identificadas, e devem contar com características desejáveis como instalações esportivas, histórico de apoio a modalidades esportivas no âmbito extracurricular, entre outros) para que se tornem o local de trabalho de professores recém capacitados para o hóquei. E as escolas, devem funcionar como “canteiros” para que sejam identificados possíveis atletas mirins, juvenis e juniores para serem encaminhados aos clubes. Ou seja, todas as esferas da prática devem estar interligadas.
 
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Julio durante congresso da Confederação Pan-Americana de Hóquei

Pouco se deu atenção ao hóquei indoor nos últimos anos (a última seleção foi montada há mais de uma década). Você acha importante voltar a investir nessa modalidade, tanto em termos de seleção brasileira quanto para o desenvolvimento de novos atletas? Se sim, quais seus planos?
Certamente. Esta modalidade tem sido, em diversos países, uma forma eficiente para formação de habilidades e técnicas individuais desde a mais tenra infância. Além disso, no Brasil, em cada escola, em cada clube, em cada universidade, e em cada parque há quadras, que poderão ser aproveitadas para esta finalidade. Gosto da ideia de implementação de uma liga universitária de Hóquei Indoor, mas teremos que pensar e definir um plano de ação, caso a idéia seja aprovada em colegiado.
 
Há alguns anos, o rugby tinha o mesmo patamar do hóquei, inclusive financeiro, e hoje está muitos passos a frente. O modelo utilizado na divulgação e disseminação do rugby é algo a ser seguido?
É um modelo, certamente. Assim como o Handebol já foi um dia. Se esses modelos serão seguidos ou não dependerá de muitos fatores, como a adequação à realidade de cada projeto ou local, por exemplo. Porém, boas práticas administrativas sempre podem ser tomadas como exemplo e referência.
 
Em mais de 12 anos da atual gestão, apenas os campos no RJ foram construídos, sendo que nenhum foi construído/financiado pela CBHG (há por ora um projeto para Canoas, não realizado ainda). Quais as maiores dificuldades para construir um campo de hóquei nos estados das federações atuais e como resolver estes problemas?
Seguramente a maior dificuldade é o preço do investimento. Porém, a demanda pela prática de hóquei, por ser baixa em comparação a outros esportes, limitam o interesse do Poder Público em investir na construção de campos específicos. Gosto dos modelos de instalações esportivas “multiuso” e talvez seja essa uma solução à curto prazo. Comercialmente, para investidores privados, há pouco apelo, e baixa previsão de retorno do investimento. Porém, não há fórmula mágica, será necessário muito trabalho e persistência, para aumentar a visibilidade e a demanda pelo esporte.
 
Atualmente no RJ há 4 campos, porém 2 deles praticamente sem grande uso. Como esses campos poderão se tornar ativos e com grande público? Quatro campos em um único estado são necessários?
Desde os Jogos Olímpicos se fala em transferir ao menos 1 dos campos para outra localidade/estado. Ou seja, já está constatado há muito tempo que, atualmente, não há demanda no RJ para 4 campos. Será importante conhecer o conteúdo dos acordos em vigor (Ministérios do Esporte, Educação, Exército, CBHG, COB, FIH) para planejar as ações necessárias para dar bom uso ao legado. Além disso, é importante entender as limitações e possibilidades de cada estado para, eventualmente, receber a instalação.
 
Como resolver o impasse dos campos de Deodoro (o que causou sua utilização pelo Futebol Americano)?
Difícil de responder sem conhecer profundamente os acordos em vigor. Porém, acredito no diálogo, lembrando que a questão financeira para a manutenção do Centro Olímpico pode ser um empecilho para chegar a um acordo. Ainda assim, creio que deve ser discutido um modelo de negócio apropriado, levando em consideração os interesses de todos os envolvidos.
 
A Chapa 1 é composta por alguns nomes que já estão na CBHG. Você acredita que caso esta chapa seja eleita, a gestão será diferente do que tem sido feito há muito tempo?
Não.
 
-Sabemos que o atual estatuto da CBHG tem muitas customizações e adequações, é um dos únicos estatutos da confederações de hóquei que não estão alinhados com o documento da FIH. Caso seja eleito, você pensa em reformular esse estatuto e adequá-lo à FIH?
Sim, mas essa adequação deverá ser trabalhada em conjunto com as federações e clubes filiados, através da realização de fóruns específicos para as discussões e deliberações, para somente então ser submetido à aprovação e implementação. O objetivo deve ser tornar a CBHG uma instituição forte e protegida de eventuais usurpadores.
 
No atual modelo de chapa e gestão, os próprios integrantes da chapa são conselheiros fiscais que supervisionam as contas pagas da confederação. Não deveria ser um órgão independente? Se sim, como seria um bom modelo para você?
Absolutamente sim! Não faz muito sentido a Presidência e o Conselho Fiscal fazerem parte da mesma chapa e ser eleitos juntos. É mais ou menos como colocar a raposa pra tomar conta do galinheiro, se me permite uma analogia. Há diversos modelos que podem ser seguidos, inclusive o da própria FIH.
 
Sabemos que cerca de 50% do valor de 2,2 milhões obtido pela Lei Piva é destinado ao pagamento de salários dos funcionários da CBHG, conforme consta na prestação de contas da entidade. Como acontecerá construção de campos, desenvolvimento de campeonatos de todas as categorias, contratação de professores e implementação de hóquei e universidades com o orçamento baixo? Caso seja através da iniciativa privada, como acontecerão esses projetos?
A administração orçamentária é um grande desafio e deve ser encarada com muita responsabilidade, clareza e de acordo com Planos Anuais, que devem ser desenvolvidos regularmente a cada ano e aprovados com plena participação das federações e clubes. O Movimento Muda Hóquei tem como premissa a busca de recursos privados como um dos pilares do programa de governo, mas o processo para efetiva realização pode ser longo e exaustivo, dada a realidade do hóquei no Brasil (praticamente desconhecido para a grande maioria dos potenciais investidores). Paralelamente, um programa amplo de educação para uso das leis de incentivo vigentes deve ser posto em prática, para que muito mais entidades possam buscar sustentabilidade financeira.
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Julio durante as Olimpíadas Rio 2016

 
É um fato que o diálogo entre federações, clubes e atletas com a atual gestão é praticamente nulo. De qual forma vocês aproximarão esse diálogo?
Como o diálogo com a CBHG sempre foi insatisfatório para grande parte da comunidade, houve uma união paralela dessa mesma comunidade, que gerou muitas conversas, trocas de idéias e discussões sobre o que fazer para melhorar o hóquei. Disso resultou a articulação para a candidatura da chapa 2, Muda Hóquei, que propõe uma gestão participativa, de parceria com as federações, suas filiadas diretas, para que todos possam opinar, participar das decisões importantes e engajar-se com a transformação.

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